Dentes decíduos em adultos devem ser preservados? Por que não? E as células-tronco de dentes decíduos: justifica-se sua preservação?

Por Administrador

Edição V13N01 | Ano 2016 | Editorial Biologia da Estética | Páginas 17 até 32

Alberto Consolaro

Dentes decíduos apresentam vários aspectos biológicos, aplicados à clínica, que devem ser de conhecimento de todos os profissionais da Odontologia, destacando-se que: quase 25% da população têm algum tipo de anodontia parcial, na qual os dentes decíduos tendem a permanecer mais tempo na arcada dentária. Assim, algumas considerações devem ser feitas sobre esses dentes. 1) Uma vez completada a formação, cada dente decíduo perde suas células gradativamente, por apoptose — uma forma natural de eliminação das células cuja função foi cumprida; a apoptose é o gatilho biológico da rizólise. 2) Os dentes decíduos em adultos não devem ser preservados nas arcadas de adultos, pois promovem: infraoclusão, oclusão traumática, trauma oclusal, além de diastemas e má oclusão por discrepância de tamanho e morfologia. 3) Suas superfícies estão parcialmente desnudas e o movimento ortodôntico acelera o processo de rizólise. 4) Do mesmo modo, restaurar ou reanatomizar dentes decíduos para inseri-los em uma estética e função de adulto implica em acelerar sua perda, pela sobrecarga periodontal que isso representa. 5) As células dos dentes decíduos estão morrendo por apoptose e seu potencial regenerativo para atuarem como células-tronco tem limitações; ao contrário das células dos dentes permanentes, que têm maior potencial proliferativo — muito embora as terapias com células-tronco ainda sejam laboratoriais e autorizadas apenas como ensaios investigativos.

Consolaro A. Should deciduous teeth be preserved in adult patients? Why not? How about stem cells from deciduous teeth? Is it reasonable to preserve them? J Clin Dent Res. 2016 jan-mar;13(1):17-32. DOI: http://dx.doi.org/10.14436/2447-911x.13.1.017-032.bes