Primum est non nocere

Por Administrador

Edição V11N01 | Ano 2014 | Editorial Editorial | Páginas 7 até 7

Marcelo Calamita e Nelson Silva

Uma palavra que está incutida demais em nossas mentes é “moderno”. Está sendo usada exaustivamente em anúncios comerciais, pois especialistas em linguagem e marketing afirmam que é uma palavra que “vende bem”. E — quase que por um automático e potencialmente perigoso processo de dedução — está, geralmente, associada a outra palavra: “melhor”. Mas, criticamente pensando, será que essas propagandas são mesmo sinceras? É nossa preocupação e responsabilidade, como editores, filtrar o vasto conteúdo disponível em relação à Odontologia atual. Confesso que não é fácil. Muito desse conteúdo ocupa o grau mais baixo dentro de critérios de hierarquia científica. Veem-se resultados bonitos, obtidos por mãos hábeis, mas, muitas vezes, sem o embasamento necessário e que pouco acrescentam ao leitor. Conduzem a uma ideia de que aquele material é superior e perde-se a oportunidade de desenvolver, ou expor, os conceitos que verdadeiramente promoverão saúde e longevidade.Temos que estar atentos ao que é veiculado e diferenciar o que é marketing do que é científico. Somos expostos, todos os dias, a campanhas de marketing muito bem planejadas, também dentro da Odontologia. Assim, não devemos sair alterando nossas condutas ou linha de raciocínio de acordo com aquilo que é apregoado como moderno. Estando em íntimo contato com a literatura e vivenciando a clínica por décadas, podemos afirmar que nada é mais importante para o consistente sucesso do que tomar, sabiamente, nossas decisões baseados em sólidos princípios científicos.Aliando, de modo sábio, a ciência com a clínica, entendemos, por exemplo, que cada vez que pegamos nossos instrumentos de trabalho em mãos, devemos saber exatamente o que fazer, o quanto fazer e porque fazer. Tudo isso dentro dos princípios de uma Odontologia minimamente invasiva e traumática, mas que possibilite máxima preservação e consequente longevidade. Isso é Hipócrates, em grau cada vez maior!Assim, juntamente a toda uma restruturação em sua forma, a Revista Dental Press de Estética manterá o compromisso de trazer conteúdo científico de alto nível, com o propósito de agregar informações clinicamente relevantes e ampliar o senso crítico de nossos estimados leitores. Isso é aliar, com sabedoria, a clínica à ciência, para o bem de todos.Estamos felizes pela possibilidade de começar juntos um novo ano, um novo ciclo.