José Carlos Garófalo

Por Administrador

Edição V09N01 | Ano 2012 | Editorial Entrevista | Páginas 12 até 18

Ewerton Nocchi Conceição

Meu primeiro contato com a Odontologia se deu ainda em minha pré-adolescência. Com 11 anos de idade, em 1975, comecei a trabalhar como office-boy em um pequeno laboratório de prótese, extremamente artesanal e rudimentar, se compararmos com os grandes e tecnológicos laboratórios de hoje. Foi lá que aprendi a vazar modelos, montar próteses totais, encerar elementos unitários, realizar fundições em metal. E também o que me possibilitou manter o primeiro contato com profissionais que mais tarde seriam meus professores, como Walter Genovese, Antônio Rodrigues, Gilberto Marcucci e Antonio Fernando Tommasi. Esses profissionais e a atmosfera de seus consultórios definitivamente despertaram em mim a vontade de um dia ser dentista. Em 1983, entrei para a Faculdade de Odontologia da USP, onde me graduei em 1987 e onde também fiz meu mestrado e permaneci até 2004 na Disciplina de Escultura Dental. Logo que me formei, comecei a trabalhar em consultório arrendado e também em um pronto-socorro odontológico. Ao final do meu primeiro ano de formado, montei meu primeiro consultório em sociedade com uma colega de turma, que depois tornou-se minha namorada, esposa e mãe dos meus filhos. Sociedade produtiva! Confesso que meus primeiros anos como dentista foram frustrantes. Apesar de até bons financeiramente, não encontrava na rotina de consultório a alegria e entusiasmo que tinha durante o curso de graduação. Me perguntava se o resto da minha vida seria assim, tão desmotivante. A grande virada profissional aconteceu durante e após meu curso de especialização em Dentística. Coordenado pelo Prof. Glauco Fioranelli Vieira, em 1991, o curso já trazia a filosofia minimamente invasiva, adesiva e estética que atualmente norteia nossa prática clínica. Facetas laminadas, onlays e fragmentos cerâmicos já faziam parte da nossa rotina de aprendizado. Os amigos, a quem contava entusiasmado o que estava aprendendo, chamavam ao professor e a mim de loucos. Estava no lugar certo, na hora certa; e com o mentor certo. De aluno a professor assistente foram 3 anos e, a partir disso, muitos foram os projetos realizados em conjunto e grande o estímulo para que eu trilhasse, também, uma carreira como ministrador na área, coordenador de cursos de atualização e especialização. Nesses quase 20 anos, graças aos ensinamentos e apoio de alguns mestres e à colaboração de muitos amigos e alunos, pude continuar a transmitir — em palestras, congressos, cursos de atualização e especialização — aquilo que aprendo e acredito. Apesar de ainda ter um longo caminho de aprendizado a trilhar, considero-me um profissional feliz e realizado com minhas escolhas.